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Veja como Pode Estar a Perder Dinheiro

Junho 13, 2011

Incompreensivelmente, muitos são os clientes bancários que optam por deixar uma parte considerável do dinheiro disponível que possuem todos os meses na conta à ordem. Muitos justificam esta opção com a necessidade de fazer face a despesas correntes e extraordinárias, outros simplesmente acreditam que o dinheiro à ordem é mais fácil de movimentar logo mais rápido de levantar.

Estes últimos são clientes extremamente conservadores que pretendem possuir liquidez máxima no seu dinheiro, todavia, o extremo também é risco, pois perdem dinheiro a cada dia que passa.

Mais á frente neste artigo irão perceber porquê, todavia, centremos nos clientes que possuem dinheiro na conta à ordem para fazer face a despesas correntes e extraordinárias.

De uma forma geral, posso dizer que estes clientes não possuem uma correta gestão das suas Finanças Pessoais, pois não centram a sua atenção na optimização e rentabilização de todo o dinheiro disponível que possuem. Do mesmo modo, não conhecem a importância da existência de um Fundo de Emergência remunerado e com liquidez para fazer face a eventos inesperados da vida.

Uma correta gestão das Finanças Pessoais elimina qualquer excedente de dinheiro e de forma simples rentabiliza ou diminui o risco de perder dinheiro por possuir o dinheiro parado numa conta à ordem.

MAS COMO POSSO PERDER DINHEIRO SE NÃO INVISTO?

Na verdade existe um inimigo do dinheiro que, mesmo havendo estabilidade económica e financeira e todos nós nos sintamos confiantes com o sistema financeiro, ele continua a retirar valor ao dinheiro. Esse inimigo é a inflação que é noticia nos principais canais e uma das maiores preocupações do Banco Central Europeu na condução da política monetária da Zona Euro.

Na verdade, a cada dia que passa, perdemos mais ou menos dinheiro, porque a inflação retira o poder de compra que esse dinheiro possui.

Um pequeno é exemplo é considerar que ao longo dos anos possui uma saldo médio na sua conta à ordem de 1.000 euros, se considerar que a taxa de inflação do ultimo ano se fixou nos 3% então sabe que no final do ano esses 1.000 euros apenas podem comprar 970 euros, ou por outras palavras, necessitará de 1.030 euros para comprar no final do ano o mesmo que compraria com 1.000 euros no inicio do mesmo ano.

Só por curiosidade, tenha presente que a inflação em Portugal já se encontra em valores próximos de 4%. Se o ano de 2011 fechar com uma inflação na ordem dos 4% então nem as poupanças com taxa de juro inferior obtiveram juros reais. Para compreender melhor esta indicação consulte o artigo Taxas de juro brutas, liquidas e reais nas suas poupanças.

COMO POSSO ENTÃO CONTRARIAR O EFEITO DA INFLAÇÃO?

Não é fácil contrariar o efeito da inflação no nosso dinheiro, pois necessita de muita disciplina e controlo financeiro. De uma forma geral existem simples dicas que podem ser úteis e eficazes que quando associadas à disciplina e controlo orçamental funcionam, nomeadamente;

  • Procure poupanças com taxa de juro liquida superior a taxa de inflação prevista

Julgo que este procedimento é o mais difícil de concretizar principalmente para as pessoas conservadoras, ou seja, que valorizem o capital e juros garantidos. Suponho que no mercado muito poucos serão os depósitos a prazo que possuem taxas liquidas superiores a 4%, à excepção de alguns depósitos a prazo promocionais para novos clientes, como por exemplo o depósito a prazo do banco Best, no entanto, nos fundos de investimento é possível encontrar tais rentabilidades embora sempre com risco associado.

Todavia, é melhor possuir o dinheiro a 3 ou 4% brutos do que simplesmente não possuir rentabilidade no mesmo, sendo que, deste modo o efeito negativo da inflação é contrariado.

  • Defenda a existência de um orçamento mensal eficiente

Definitivamente o melhor caminho é saber exatamente quais as despesas fixas e variáveis que existem ou poderão ocorrer ao longo de um mês. Saber exatamente é saber o montante e o dia do mês em que ocorrem, por exemplo, factura da água assume valor regular ao longo dos meses, a factura da luz pode ser fixada ao longo do ano, as despesas de comunicações podem possuir limites mensais, prestações de habitação ou consumo quando indexados possuem regularidade de acordo com a revisão do indexante, a alimentação pode ser orçamentada e diversificada, entre outros.

Já as despesas variáveis podem ser programadas e quando não esperadas podem ser saldadas com recurso ao fundo de emergência constituído para o efeito.

  • Tente o pagamento das despesas manual

Sou defensor das despesas domiciliadas na conta à ordem para que não ocorram esquecimentos, no entanto, aceito o valor do pagamento das despesas assim que exigíveis, ou seja, assim que a factura chega a casa. Não só poderá confirmar os valores como pode efetuar os procedimentos necessários para saldar tal factura. Esta dica é demasiado cansativa e acredito que não terá grande vantagem se não aplicada com o máximo de disciplina.

  • Experimente a utilização dos Cartões de Crédito

Certamente que muito,s assim que lerem esta dica irão criticar, no entanto, não aceito que os cartões de crédito sejam um produto perigoso, pois uma utilização eficiente e com disciplina de um cartão de crédito proporciona ao seu utilizador imensas vantagens.

De um modo geral não é o cartão de crédito que é perigoso mas sim o utilizador do mesmo. Utilizar cartões de crédito para uma grande parte das despesas mensais é uma mais valia, pois esse dinheiro não necessita de se manter disponível podendo assim beneficiar de pelo menos 30 dias de juros.

A ideia é simples, como os cartões de crédito possuem data definida para liquidação e um período de 20 a 50 dias de crédito grátis, ao utilizar o mesmo e guardar o dinheiro disponível numa poupança e sabe que beneficiará de juros a cada 30 dias e poderá liquidar a poupança apenas na data de pagamento do saldo a 100% do cartão de crédito.

Esta dica é extremamente eficiente e permite beneficiar de juros do dinheiro disponível e se possuir um cartão de crédito com vantagens associadas pode ainda beneficiar de benefícios no cartão de crédito. Todavia, é necessário que utilize o cartão de crédito com muita responsabilidade pois uma utilização ineficiente pode prejudicar meses de poupança com esta dica.

FINALIZANDO

Independentemente da estratégia que utilizar é importante que tenha em mente que terá de viver com a inflação, no entanto, reduzir o efeito desta no seu dinheiro está nas suas mão, desde que tenha consciência dos riscos da tomada de qualquer decisão. Quer seja através do investimento em produtos de risco mas com potencial de rentabilidade superior, quer seja através da utilização dos cartões de crédito ou simplesmente pelo controlo das suas Finanças Pessoais, tenha presente que:

  • Um gestão just-in-time do dinheiro é arriscada se não existir disciplina;
  • Uma distração ou um erro pode simplesmente prejudicar toda a rentabilidade auferida no combate à inflação, na medida que pode originar encargos ou juros ( ex.:deslize nos cartões de crédito), penalizações diversas ( ex.: liquidações antecipadas de fundos de investimento), entre outros.

Até já…

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