Guia Fundos de Investimento

Como certamente terá reparado, nas suas visitas ao balcão do seu banco ou nos omnipresentes anúncios das instituições financeiras, a uma crescente oferta de produtos e serviços financeiros, destinados a todos os gostos e feitios.

Se parte desta oferta se deve à procura dos clientes, hoje um pouco mais sofisticados (ou menos iliterados), parte também se deve a uma procura crescente por comissões pelas instituições financeiras.

Um resultado visível desta estratégia comercial, prende-se com a criação de um conjunto de fundos de investimento, mobiliário ou imobiliário, pelo que achamos necessário aprofundar um pouco esta temática e criar um Guia Fundos de Investimento.

Ao longo dos vários anos que vivemos enquanto profissionais do sector financeiro, fomos várias vezes confrontados com questões e preocupações de clientes, desconhecedores da dinâmica de funcionamento e valorização dos fundos de investimento.

Por vezes, não percebem como funcionam os fundos, sendo este um dos principais riscos a combater.

Numa primeira fase, torna-se necessária uma grande prudência na contratação deste produto, na medida em que apenas o deverá fazer quando tal se enquadra numa estratégia de investimento coerente com o seu perfil de risco e com um determinado horizonte temporal de investimento.

Após esta análise, e numa segunda fase, poderá considerar o investimento em fundos, caso compreenda os riscos e as potencialidades em termos de retorno que estes mecanismos podem oferecer.

Surgem assim as primeiras questões a que importa responder:

O QUE SÃO E EM QUE CONSISTEM OS FUNDOS DE INVESTIMENTO?

De forma simples, um Fundo de Investimento é um sistema de investimento colectivo, que torna possível um investimento diversificado, com partilha de riscos e retornos, executado por uma equipa de profissionais exclusivamente dedicados à procura das melhores oportunidades de investimento, em cada momento do ano.

No caso concreto dos fundos domiciliados em Portugal, e após as recentes alterações fiscais, ainda há a considerar vantagens fiscais, tanto comparativamente com o investimento directo como por intermédio de fundos domiciliados no estrangeiro.

Finalmente, há lugar ao pagamento de um conjunto de comissões, que podem ser resumidas como:

  • Comissão de gestão – por norma esta comissão é anual e destina-se a compensar o trabalho da equipa de gestão ou da Sociedade Gestora;
  • Comissões de Subscrição – devida no momento da compra de unidades de participação e na generalidade dos fundos situam-se entre 0 e 3,5%;
  • Comissão de Resgate – devida no momento de venda de unidades de participação e normalmente só existem quando o prazo médio de duração de investimento não é cumprido pelo investidor;
  • Custos de Transacção – As operações de compra e venda de títulos implicam custos de corretagem, que são suportados pelo cliente. Dependendo da classe de activos, estas comissões/custos podem representar até 2-3% do montante anual sob gestão.
  • Comissão de performance – comissão pouco comum nos fundos convencionais. Pode ter duas faces da medalha. Por um lado, estimulam a equipa gestora para a obtenção de resultados melhores. Por outro, podem induzir um nível demasiado elevado de risco, de modo a obter esses mesmos resultados.

Salientamos que as entidades internacionais não têm o hábito de cobrar comissões de subscrição e de resgate.

VANTAGENS DOS FUNDOS DE INVESTIMENTO

  • PARA O CLIENTE:

Adquire o acesso a determinados instrumentos de investimento que, de outro modo, poderia ser impossível ou pouco vantajoso, em termos operacionais, de custos e de tempo.

Induz alguma despreocupação e conforto, dado não necessitar de um acompanhamento regular, muito consumidor de tempo, em troca de um custo “invisível”. Ou seja, o cliente não necessita de dispor de tempo para gerir e acompanhar o mercado, nem necessita de todo o conhecimento para acompanhar as variáveis que afectam esse investimento.

  • PARA A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA/ ENTIDADE GESTORA:

Os benefícios são bastante superiores e traduzem-se em comissões. Estas comissão não servem apenas para fazer face aos custos da gestão (salários dos gestores, transacções de bolsa, pagamento da estrutura de apoio e comercial) mas também destinam-se a garantir um retorno muito generoso, especialmente se comparado com o valor criado para o cliente.

Como podem verificar a oferta nos bancos relativa a fundos de investimento pode ser variada e de igual modo os encargos com a subscrição e resgate de tais produtos pode tomar diferentes proporções consoante o tipo de fundo.

TIPOS DE FUNDOS DE INVESTIMENTO

Tendo referido a crescente oferta de fundos de investimento, cabe-nos agora resumir, de forma simplista, as várias classes de activos:

  • Fundos de Índices;
  • Fundos de Acções;
  • Fundos de Obrigações;
  • Fundos Mistos;
  • Fundos de Fundos;
  • Fundos de Matérias-Primas;
  • Fundos de Moeda;
  • Fundos Imobiliários.

É certo que nem todos estes produtos são eficientes ou adequados a todo o tipo de investidores. Deste modo, deverá procurar algum aconselhamento (por alguém da sua extrema confiança) e muita ponderação.

Sobre este tópico, futuramente iremos transmitir algumas noções de como avaliar o desempenho dos vários gestores (índices de Sharpe, Treynor, Alfa, Information ratio).

Se este tópico desperta a sua curiosidade, subscreva gratuitamente a nossa Newsletter e não perca os artigos que virão sobre esta temática.

Dentro desta tipologia, podemos distinguir, também, os fundos abertos que permitem a livre entrada e saída de fundos, em qualquer momento do tempo.

Como referimos no artigo sobre Como Classificar um Investimento, gozam de elevada liquidez e os fundos fechados de liquidez muito reduzida, sendo o número de unidades de participação fixado no momento da constituição do produto.

Existem vantagens e desvantagens nas duas modalidades referidas. Contudo, para a maioria dos investidores, a proposta mais vantajosa deverá ser a subscrição de fundos abertos, dada a sua maior liquidez, muitas vezes essencial para fazer face a necessidades inesperadas de liquidez.

Até já…

About João Morais Barbosa

Licenciado em Gestão pela Universidade Nova de Lisboa. Pós-graduação em Análise Financeira. Detentor de Certificação Europeia de Analista Financeiro.
É autor de diversos livros de Finanças Pessoais (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como acabar com as dívidas) e formador nestes temas em diversas empresas nacionais e multinacionais

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