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Dilema e os Obstáculos da Amortização Antecipada do Crédito Habitação

Abril 11, 2011

O crédito habitação é o principal crédito da maioria dos clientes bancários e regra geral, o comodismo leva a que a generalidade dos clientes não façam nada para gerir eficientemente o esforço da divida.

Na verdade, a generalidade sabe que tem de pagar todos os meses e enquanto suportarem com a prestação ou esta não pesar no orçamento mensal então não vêm motivos para se preocuparem com o crédito habitação. A não ser que, seja moda no mercado renegociar as condições do crédito habitação, fenómeno que atrai multidões aos balcões dos bancos.

Não é necessário o mercado dar resposta para que seja necessário renegociar ou gerir o crédito habitação, basta sim haver necessidade de o fazer ou oportunidade e condições financeiras para tal.

Uma melhoria das condições financeiras do cliente bancário ou até mesmo da relação bancária, isto é, a existência de um portfólio de produtos diversificado e de valor para o banco, é condição suficiente para avaliar os investimentos e renegociar os mesmos.

É óbvio que o mercado, nos nossos dias, não apresentam condições para renegociar créditos, mas também é óbvio que nenhum banco quer perder um cliente com capacidade financeira e relação bancária significativa só porque não está na posição de negociar ou porque o mercado não o permite.

É errado pensar assim. Como cliente bancário sempre que considera estar melhor na vida financeiramente mais oportunidades possui para entrar num processo de melhoria continua.

Contudo, o cenário é precisamente o contrário, só se recorre aos bancos quando a situação financeira se encontra fragilizada e com pouca margem de manobra, arriscando-se assim a receber uma negação e sem possibilidade de retaliação.

Em muitos dos casos só resta a consolidação de créditos como solução ficando até mesmo esta comprometida a uma negação, deixando cair por terra todas as vantagens e benefícios e capacidade de ganhar dinheiro a consolidar créditos.

Um simples ato que todos os clientes bancários deveriam ter, pelo menos uma vez no decorrer do crédito habitação e que ocorre com pouca frequência, senão mesmo, numa pequena minoria de clientes é que esse acto se verifica, é a amortização parcial antecipada.

É certo que existem alguns obstáculos para o efeito, mas vamos aprofundar mais um pouco o tema.

O PODER DE AMORTIZAR 20% DA DIVIDA NO CRÉDITO HABITAÇÃO

Recentemente publicamos um artigo sobre 4 estratégias para a subida de juros e nesse mesmo artigo um dos tópicos era a amortização antecipada de 20%.

Para relembrar fica aqui o exemplo, de um crédito de 150.000 euros onde é possível verificar que a amortização de 20% rende mais de 11.500 euros de juros de poupança.

Amortizar crédito

VALERÁ A PENA AMORTIZAR

Entra em confronto duas atitudes perante as vantagens e desvantagens de amortizar antecipadamente. No blog do Pedro Pais no seu artigo Amortizar ou investir existe uma calculadora excelente sobre  o potencial da amortização antecipada versus o investimento do capital a amortizar.

O simulador é de uma utilidade enorme principalmente nesta altura em que os bancos possuem taxas de juro elevadas para remuneração dos capitais dos seus clientes.

Este simulador incorpora a atitude racional, ou seja, se é mais vantajoso amortizar então o cliente deve amortizar, sendo o contrário também válido.

Todavia, existe o impacto emocional nos investimentos, ou seja, a importância atribuída á diminuição da dívida ou ao aumento das poupanças. Para muitos clientes amortizar o crédito habitação, mesmo que esta atitude represente a melhor poupança no futuro, possui um impacto incrível na vida emocional.

A dificuldade de assumir que entregar um dinheiro devido ao banco antecipadamente e ver os níveis globais de poupança diminuir é um obstáculo emocional que nem todos os clientes conseguem ultrapassar.

Esta é uma lacuna da literacia financeira em Portugal e do confronto racional vs emocional que impera na maioria das decisões dos clientes bancários, não só a nível da relação creditícia como também nos investimentos.

É importante ultrapassar estes obstáculos e tomar a vida financeira como um nobre ato de gestão onde a criação de valor é objectivo principal do gestor que neste caso é você.

E O LEITOR, IDENTIFICA-SE COM O ARTIGO?

Partilhe com a comunidade a sua experiência e o importância do racional ou emocional.

Até já…

{ 2 comments… read them below or add one }

1 Manuel Abril 12, 2011 às 10:02 am

Bom dia.
Apesar de há algum tempo subscrever o “produtosbancários”, é a primeira vez que comento um artigo, pura e simplesmente para relatar a minha experiência.
Como muitos portugueses, contraí, em 2004, um crédito à habitação, tendo contratualizado o prazo 30 anos (com dois de carência – asneira da qual muito me penitencio), indexado á euribor a seis meses.
O Spread inicial foi de 0,625%.
Passados cerca de dois/três anos, consegui que o spread baixa-se para 0,50%.
Alguém do meu banco dissera-me que daqui seis meses que tentasse novamente o pedido de baixa do spread.
Assim fiz…mas antecipei-me um mês, ou seja, cinco meses após ter obtido o 0,50% e numa altura em que o BPI andava com uma forte campanha como spread a partir de 0,29%, dirigi-me ao “meu” banco e disse-lhes que tinha duas Instituições Financeiras concorrentes que me tinham proposto 0,25% de spread – confesso que tais propostas eram irreais, pois nunca fora contactado por outra Instituição Financeira …em suma…eu apenas estava a fazer bluff -.
Lá redigi o pedido de baixa do spread para 0,25%, indicando as outras duas Instituições Financeiras, das quais também sou cliente, e esperei.
Certo é que cerca de três semanas após o meu pedido o mesmo veio DEFERIDO!!!
Tal não tem nada de especial não fosse a crise do subprime ter “rebentado” quinze dias após a aprovação do novo spread!
Sorte…é a palavra eu encontro para melhor definir o meu sentido de oportunidade.
Mas se estivesse á espera mais um mês – como alguém do banco me recomendou – ainda estava hoje com spread de 0,50%.
Isto tudo para dizer que devemos ouvir os especialistas (bancários e afins) mas temos de ser nós a decidir.
Quanto ao tema em questão, posso-vos dizer que desde 2004, ano em que contraí o empréstimo, efectuei duas amortizações extraordinárias.
A primeira em Agosto de 2008 e a segunda no início deste mês.
Compensou?
Claro que sim!
Na primeira, a euribor estava muito alta e a amortização permitiu-me baixar a prestação mensal (estamos a falar em amortização a rondar os 4%).
Quanto á segunda, a rondar a mesma percentagem, permitiu-me também baixar a prestação mensal.
Até aqui nada de novo.
Nas duas ocasiões pensei foi desta forma:
Se não amortizo o capital, quanto dinheiro (juro) desperdiço para ficar com x em dívida?
Ou seja, se quero ficar apenas a dever 100 mil euros ao banco – devendo eu actualmente 105 mil – quanto dinheiro poupo em juro se fizer a amortização dos tais cinco mil?
Fiz várias simulações e posso-vos dizer que com esta última amortização “poupei” perto de três mil euros, além de ter “recuperado cerca de 15 meses do periodo de carência”!
Em suma, com cinco mil euros poupei quase três mil euros – não consigo essa rendibilidade em qualquer depósito bancário – e antecipei o pagamento integral do empréstimo em quinze meses!
Esta é a minha experiência…boa ou má que ela seja…aqui fica para todos vós analisarem.
Cumprimentos a todos.

Responder

2 João Abril 12, 2011 às 9:01 pm

Olá Manuel,
Antes de mais o muito obrigado pelo seu comentário. De facto o artigo tenta chamar a sí as experiências dos nossos leitores e de facto, com o seu testemunho tal objectivo foi concretizado.
Definitivamente o racional impera nas suas decisões pois considera que a rentabilidade é parceira do tempo e que tempo é dinheiro.
Estou feliz por ter tido a sensibilidade de acompanhar o seu crédito habitação com olhos de investidor sempre procurando melhorias e poupança.
Os meus parabéns e não desista pois com o passar dos anos mais oportunidades virão e mais dinheiro irá poupar.
Muito obrigado,
João

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